Crise hídrica desafia o Rio a buscar novas soluções

Para que o Rio de Janeiro não enfrente problemas ainda mais sérios de abastecimento de água, o relatório final da CPI da Crise Hídrica da Assembleia Legislativa (Alerj), que vai a plenário nos próximos dias, sugere uma série de medidas, como estudos referentes à dessalinização da água do mar para tornar essa tecnologia viável do ponto de vista técnico, econômico e financeiro.

Aberta em março, a CPI conclui ainda que deve-se proteger os mananciais como forma de aumentar a vida útil das fontes de abaste cimento. Esta ação envolve as nascentes, preservando a vegetação e garantindo a alimentação dos lençóis freáticos.

Outra medida recomendada pela CPI é em relação às comunidades ribeirinhas de Cachoeiras de Macacu, já que devem ser levadas em consideração na discussão da construção da Barragem do Rio Guapiaçu, caso o projeto seja implantado para abastecer parte da Região Metropolitana.

O presidente da CPI, Luiz Paulo (PSDB), criticou o desperdício de água, já na distribuição. “Não faz o menor sentido as concessionárias estarem com perdas acima de 30 pontos percentuais que acabam indo para a conta dos usuários”.

Ele também defendeu medidas punitivas: “Você pode premiar quem gasta menos e multar quem gasta mais, você tem que trabalhar na diminuição de consumo”.

Especialista em desenvolvimento urbano, Sérgio Besserman se diz preocupado com a situação hídrica no Rio de Janeiro e afirma que o carioca demonstra falta de capacidade e de planejamento ao ser surpreendido com a estiagem.

“As pessoas deveriam mudar seus hábitos. Plantar nas margens de rios, como o Guandu e o Paraíba do Sul, seria importante. Oque parecia coisa de um ecochato, é hoje, uma solução”, ressaltou Besserman, durante o Fórum das Águas, realizado na última semana em Inhotim (MG).

O governador Luiz Fernando Pezão anunciou que prevê investir R$ 210 milhões para restaurar 22 mil hectares de áreas até 2022, através do programa Pacto das Águas para enfrentar a maior crise hídrica dos últimos 84 anos no estado.

Estudos da consultoria Cohidro, responsável pelo projeto da barragem de Guapiaçu, mostram que, se nenhuma medida for tomada para suprir o déficit hídrico da região atendida pelo Sistema Imunana-Laranjal (Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Ilha de Paquetá e Tanguá), em 2035 haverá um déficit de 5m³/s, suficiente para abastecer cerca 1,17 milhão de habitantes.

A CPI evidenciou a importância e a dependência que o estado têm em relação à Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, que abrange 62% do território e abastece de água potável cerca de 11 milhões de pessoas, 8,5 milhões na Região Metropolitana.

A indústria pecuária é apontada como forte poluidora. “Cerca de 70% das ter ras estão cobertos por campos/pastagens, em sua maioria maltratadas pelas reiteradas queimadas e pelo pisoteio do gado”, diz o relatório. A agricultura, embora ocupe área bem menor (10%), também preocupa pelo uso descontrolado de fertilizantes e agrotóxicos.

(O Dia)

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